A Agência Comunitária de Notícias de Pinheiros atua na região da subprefeitura de Pinheiros que compreende os distritos de Alto de Pinheiros, Itaim Bibi, Jardim Paulista e Pinheiros. Conhecidos bairros da cidade, como Jardins, Vila Madalena e Vila Olímpia pertencem à região que tem alto poder aquisitivo e alto IDH, quando comparada aos outros distritos de São Paulo.
De acordo com os dados da Subprefeitura, Pinheiros tem 259 mil habitantes, sendo que 50.072 têm entre 0 e 29 anos de idade.
Habitação
A região de Pinheiros tem um baixo índice de favelas, que, grosso modo, estão concentradas nos distritos do Itaim e de Pinheiros. Alto de Pinheiros e Jardins têm o mesmo número que o distrito da Água Rasa, que figurou na pesquisa como o distrito com menor número/ quantidade de favelas. Os cortiços encontram-se principalmente na região do Largo da Batata no distrito de Pinheiros – área que também tem forte presença de casas de prostituição, saunas e bares de strip-tease. Em mapeamento realizado pelos jovens participantes do Repórter Aprendiz em 2010, verificou-se que a região também tem grande número de salões de cabeleireiro. Os jovens e educadores do projeto levantaram a hipótese da região ter muitos salões justamente pela demanda das mulheres que trabalham nas casas noturnas da região.
População de rua
Em relação à população de rua, segundo as pesquisas do Portal Nossa São Paulo, da região administrativa de Pinheiros apenas o bairro de Pinheiros acolhe cerca de 130 moradores de rua, porém restam mais de 200 ainda em situação de rua, levando em conta os bairros do Itaim, Jardim Paulista e Alto de Pinheiros. A região tem ainda o maior número de crianças em situação de rua da cidade. Segundo o “Censo e contagem de crianças e adolescentes na cidade de São Paulo[1]”, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) em 2007, “a distribuição espacial dos pontos com presença de crianças e adolescentes é fortemente concentrada nos distritos centrais, Subprefeitura da Sé, estendendo-se pelos distritos das Subprefeituras de Pinheiros, Vila Maria, Santo Amaro, Santana, Lapa e Moóca.” Segundo os estudiosos, para se manterem nas ruas, as crianças realizam diferentes tipos de atividades: lícitas e ilícitas, de malabares no farol a pequenos furtos.
Entre os dados mapeados pelo estudo ressaltamos a questão da escolaridade. Segundo os pesquisadores, aferiu-se que quanto maior o tempo da criança ou adolescente na rua, maior sua chance de abandono da escola.
Abrigos
De acordo com levantamento[2] realizado pela Área Institucional da Associação Cidade Escola Aprendiz, existem nove abrigos que atendem a região – todos mapeados e entendidos como potenciais a serem trabalhados pelo projeto. Muitas dessas crianças sofreram violência em suas casas ou na própria rua. Segundo dados do Movimento Nossa São Paulo, Pinheiros é uma das subprefeituras com alto índice de internações de crianças vítimas de possíveis agressões – número, que inclusive, cresceu exponencialmente entre 2003 e 2007.
IDH
Mesmo com as taxas de população de rua e ainda presentes falhas na questão habitacional, os distritos da subprefeitura de Pinheiros apresentam IDH elevado, de 0,960, valor bastante superior ao da cidade (0,841), do estado de São Paulo (0,833) e do próprio país (0,699).
Educação & Escolas
Entre os pontos mapeados no indicador de vulnerabilidade social, está a questão do acesso à educação. A subprefeitura de Pinheiros é bastante privilegiada na sua oferta de escolas públicas e privadas, porém o rendimento dos alunos tanto do ensino fundamental, quanto do ensino médio, embora paritários à média estadual, estão bem aquém do esperado. A superlotação de salas, a baixa qualificação do corpo docente, o cenário de vulnerabilidade social com todas as suas variáveis e o próprio desinteresse dos alunos pela escola nos moldes atuais são alguns dos fatores que favorecem a evasão escolar e prejudicam a qualidade do ensino[3]. Na subprefeitura de Pinheiros, a média de pontos no Saresp 2009 foi de 269,8 – índice bastante abaixo do esperado no exame.
Nesse sentido, o projeto Agência Comunitária trabalha com o conceito bairro escola – onde a comunicação aparece como eixo estruturante, uma vez que, propõe a integração de diferentes oportunidades educativas locais, a partir de redes sociais formadas por agentes de um mesmo território. A comunicação comunitária atua no sentido de promover esta articulação local com foco no desenvolvimento integral dos sujeitos, proporcionando que a comunidade possa construir um olhar sobre si mesma, reconhecer sua identidade e visualizar caminhos para a construção coletiva daquilo que é importante para si mesma. Esse é o primeiro pressuposto para que uma articulação efetiva comece a se desenhar e para que o interesse por questões voltadas ao desenvolvimento do território comece a aparecer.
Cultura
Diretamente relacionada à educação e também à construção de uma Agência Comunitária de Notícias em Pinheiros, a questão da cultura, além de bastante importante no território de Pinheiros é uma das “marcas características” da região, reconhecida na cidade por sua grande oferta cultural. A região tem significativo número de museus, cinemas, teatros e centros culturais, na maioria dos casos privados ou do terceiro setor. Porém, a freqüência de público da região é baixa, embora não tenhamos encontrado indicadores oficiais. Mesmo iniciativas gratuitas ou que oferecem os chamados preços populares ficam bastante esvaziadas – fenômeno que acontece em toda a cidade e não só no território de Pinheiros. Dessa forma, o projeto entende o acesso as oportunidades culturais como parte do processo de educação integral e com isso, ao convidar os atores do território para acessar e produzir informações de interesse local, conseqüentemente essas informações circulam na comunidade, explicitando os seus potenciais e fortalecendo as diversas possibilidades de aprendizado comunitário.
Um ponto favorável na região que está intimamente ligada ao acesso à cultura, trabalho, educação e lazer é o transporte. A região é bastante privilegiada pela rota de transportes públicos coletivos, especialmente quando comparada às outras regiões da cidade. A linha verde do metrô tem três das suas estações na região (Clínicas, Sumaré e Vila Madalena) e em breve, a região contará com uma nova linha, que agregará ao território cinco novas estações.
Juventude
Uma questão alarmante é o número de homicídios de jovens nos distritos de São Paulo. De cem habitantes entre 15 a 29 anos do sexo masculino, o município apresenta um índice de 50, 21 em 2009, enquanto Pinheiros aparece com 44,37 número que dobrou em relação a 2008. Embora Alto de Pinheiros mantenha sua média de nenhum óbito, os bairros Pinheiros e Itaim Bibi aumentam sensivelmente, dado que talvez esteja associado à presença de muitas casas noturnas e bares nas duas regiões que, em sua maioria, são freqüentadas por jovens. Outro fator é que nessas casas noturnas, como característica do próprio tipo de comércio, há grande oferta de bebidas alcoólicas. Especificamente nesse ponto, o projeto pretende trabalhar a sensibilização dos jovens atendidos e da comunidade, em relação aos malefícios do álcool. Por meio da comunicação, os jovens serão estimulados a refletir suas praticas e contribuir na construção de uma campanha que fomente essa discussão nos espaços da região.
Violência
O índice de violência na questão de furtos e roubos na região também aumenta significativamente, segundo os dados do Movimento Nossa São Paulo. A taxa da subprefeitura de Pinheiros é mais de duas vezes maior que a média da cidade.
Ainda seguindo os dados do Movimento Nossa São Paulo, a região é a segunda maior no tamanho da oferta de empregos, sendo responsável por quase 15% da oferta do município. Muito provavelmente, isso acontece pela característica de bairro comercial: são inúmeras as lojas, bares, restaurantes e serviços na região, em especial nos bairros de Pinheiros e Itaim.
[1] FIPE. Censo e contagem de crianças e adolescentes na cidade de São Paulo, 2007.
[2] Oliveira, Roberta. Comunicação Pessoal.
[3] Dados complementares sobre as causas da evasão e baixa qualidade do ensino no diagnóstico do Projeto Jovem de Futuro, do Núcleo de Comunicação Comunitária.
Para ter acesso ao mapeamento completo sobre o território de Pinheiros, escreva para: juliadietrich@aprendiz.org.br
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